Monday, August 09, 2010

Eternal Sunshine


E simplismente Ele não estava lá. Não havia mais motivo. E nem motivação.

Por vício de viver, abri os olhos e me levantei. Sem refletir ou precisar pensar, tirei o pijama ainda quente e vesti a roupa fria que me aguardava ansiosa para passear pelas ruas cinzentas pelas quais sempre caminho. Hoje, sem caminho.

Por total me arrasto e por segundos me pego pensando no que estou a fazer ali, me dedicando mediocremente a apertar porcas e parafusos para todo o sempre. Que sempre acaba. Como havia atingido tão fundo niilismo na vida? Me distraio e me esqueço, pra não ter que pagar o preço.
Há algum tempo não me vendia, pois acreditava que havia sido comprada a preço de sangue. Mas hoje? Tanto fazia. Hoje Ele não estava mais lá.
Eu estava por mim mesma. E o universo não estava por nenhum de nós.

Com suas próprias leis nos regia e nos destinava as mais estranhas situações que física quantica alguma jamais poderá explicar.
Estavamos destinados a buscar respostas em quarks incompreensíveis e extra terrestres que deixavam suas mensagens.

Todos os outros viviam. Por si e para si. Simples assim.
Mas eu? Não podia. Não entendia.
Pra quem um dia conheçeu a luz, quando em trevas, não se consegue caminhar em tão densa escuridão.

Em todas as faces eu via o mesmo vazio. Inclusive no reflexo do meu próprio espelho. Nada mais fazia sentido. Era uma sensação de vazio! (vazio fatorial). E quanto mais vazia eu me sentia, mas me enchia de vazio. E não era um vazio que esvaziava, mas preenchia. E não permitia que nada ocupasse seu lugar. Já havia sentido aquilo em um tempo longincuo, e ter de volta aquela sensação avassalava todos os meus sentidos. E então eu me perdia. E a sensação desaparecia. Deixando só vazio.

Como em um susto, acordei.
Fechei meus olhos, e a única coisa que consegui pedir foi: "Por favor, não vá embora. Fica aqui comigo, de mãos dadas. Ou melhor, pode ser no colo? Me carrega, assim, sem esforço. Me leva correndo, pra me balançar e me fazer rir. às vezes de vagar, pra eu poder dormir confortável. Se quiser, eu até ando. Ando, e carrego a cruz, pra onde for preciso. Só não me deixa só, nem por um minuto, porque a minha vida sem Ti, Senhor, é mais vazia que um plástico bolha depois de estourado. E pior. Ainda fica a sensação de que um dia foi cheio."

No final das contas? Ainda estou dormindo. Em um sonho do qual irei acordar apenas uma vez.

3 comentários:

Ana Carolina said...

Acho que aquele negócio de "antes só do que mal acompanhada" é meio relativo também. Se ficamos só, nos sentimos exatamente como você se sentiu no sonho...vazia! Quero é viver uma frase mais ou menos assim: "ando com Deus. Nem só, nem mal acompanhada"

Fernando Luz said...

Lindo texto.

Há algum tempo, num texto sobre o filho pródigo, escrevi: "quem corre ao encontro do pai e, com lágrimas nos olhos, o encontra, jamais correrá em outra direção."

Quem conhece a verdade não se satisfaz mais com a mentira.

A verdade é essa.

Be Wizard said...

Ele esta em ti amada... e não há como separar.