Comida, diversão e arte
Final feliz, pra gente, tem que ser assim, que nem final de novela.
Tem que ter alguns casamentos, vários bebes nascendo, solteiras desencalhando, gente pobre enriquecendo, gente rica empobrecendo, gente má sendo punida, e se não fosse nosso falso sonho de sociedade ideal, também desejaríamos alguma morte. De preferência algum assassinato, não só pelo mistério, mas para, mais uma vez, introjetarmos a imagem de algum herói que pegará o bandido, e assim não termos que ficar ocultos em nosso próprio medo do momento em que saímos da falsa segurança dos nossos próprios lares ao momento em que retornamos a ele, para retomarmos o controle sobre nossos medos, quando relaxamos e assistirmos as nossas novelas.
Estamos muito mal acostumados.
Esquecemos que estamos sempre cercados de finais felizes. Almejamos por uma felicidade cheia de "comorbidades". Felicidades que não se sabe se geraram uma a outra, ou se simplesmente, por mero acaso, aconteceram ao mesmo tempo, mas que, de fato, estão nos entupindo de serotonina e adrenalina.
A gente não quer só comida, a gente quer comida, enquanto se diverte, impreterivelmente no momento em que degustamos uma boa arte. A gente quer tudo de uma vez, assim, sem mastigar pra sentir o gosto, só pra engolir e poder falar que comeu. A gente quer tudo o que a gente quer, e tem que ser, assim, de preferência, agora, tá?!
Se estamos em um momento de sofrimento, logo supomos que não deu certo.
Se olharmos bem, deu certo, sim. Deu certo enquanto deu. Quando não dava mais, simplesmente deixou de dar. Enquanto você está na luta, o que não deu certo hoje vai ser justificado pelo que vai dar certo amanhã.
Enquanto você estiver sentado, esperando a sua felicidade "comorbida", tudo vai dar errado, e vai continuar assim, até você ter o seu final de novela. Não nos permitimos ser felizes enquanto a felicidade não for plena. Rola até um sentimento de culpa arquetípico, quando não nos contentamos com aquilo que não se chegar próximo de ser plenitude. Sendo que a plenitude só é plena em um lugar longínquo, que deixamos na nossa estante, cheio de pó, e chamamos de "Aurélio", ou talvez até "Michaelis", popularmente conhecido como "pai dos burros".
Se nossas vidas são como nas novelas, fúteis, previsíveise e entupidas de clichês, eu preferiria viver só no momento dos comerciais, onde, pelo menos, a gente tem todo um misturado de comida, diversão e arte.

5 comentários:
Que bello pasar por tu espacio.. eres muy buena escribiendo , me gustó.
Un beso querida amiga.
Un abrazo
Saludos fraternos..
Os comerciais não são um bom lugar para ficar... você pode sair bêbada com moderação e com um abdomem sarado em leves prestações de tudo que tem nos bolsos.
Caraca, oq vc andou comendo, usando e assistindo?
*Tenso*
Me lembro o cara do Claro Como o Dia falando dos momentos perfeitos, as pequenas coisas boa que ele não dava importancia até saber que ia morrer...
A felicidade nunca é plena, as vezes me pergunto se já senti essa tal de felicidade que todo mundo tanto procura.
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