Thursday, December 17, 2009

Tirando do baú: 23/12/08

Novelas me irritam.
A televisão, de forma geral, me irrita. Mas novelas me irritam muito.
Talvez a necessidade que boa parte da população supre assistindo novelas, eu supro assistindo a vida dos que estão ao meu redor.
Sim, caro leitor, se você está ao meu redor você está sendo assistido.
E digo mais, assistido e analisado. Tudo isso secretamente, nessa minha mentezinha perversa.

O caso é que, por tanto assistir e analisar, às vezes a gente percebe coisas que poderiam passar desapercebidas.

A gente percebe gente que não tem o mínimo cuidado com a relação da gente.
Percebe gente que só vem quando as coisas estão ruins.
Ou quando falta gente pra fazer-se sentir bem.

Gente que te vê como porto seguro, mas que esquece que você também é gente, e que às vezes também precisa de um porto pra se sentir seguro.

Percebe gente que mente pra gente, mas que, lá no fundo, mente pra si.
Gente que te usa, e que talvez use isso pra superar o fato de deixar-se usar.

Gente que, por mais que você preze, precisa entender que, apesar da sua formação, você não é um divã onde podem ser deixadas as angústias e agruras e de onde se leva conforto e acolhimento.
E precisa entender que, a não ser que a gente entenda isso, a gente vai depender sempre da mesma relação de dependência. Do precisar de gente para se sentir melhor, mais completo, mais aceito ou mais merecedor de algo.

É o ponto em que você entende que estar com o outro representa ofereçer um pouco de si, ao invés de absorver muito da gente.

1 comentários:

Felipe A. Carriço said...

Bianca Esponja!