Monday, November 09, 2009

Orientação vocacional

"Ah, eu escolhi psicologia porque gosto de ouvir as pessoas.

Ajudo meus amigos com os problemas deles.
Eu sempre dou conselhos...todo mundo fala que eu nasci pra isso."

Sinto muito, mas eu não escolhi psicologia por gostar de ouvir as pessoas.
Aliás, se eu SIMPLESMENTE gostasse de ouvi-las, faria fonoaudiologia.
E se eu NÃO gostasse? Seria dentista.

Não estou sempre sorrindo, feliz e contente pra manter a boa pose de profissional feliz [tenho até um "Q" de anti-social]. E por outro lado, também não sou sempre a pessoa desanimada, abatida e sem vontade de cantar uma linda canção [no estilo mais Joseph Klimber possível], que procurou a profissão pra solucionar seus problemas internos. Não estou o tempo todo analisando tudo e todos ao meu redor [apesar de sempre associar falos a objetos estratégicos].

Me dou ao direito de ser eu mesma, independente dos estereótipos da profissão criados pelo senso comum.
Não é ela que determina a forma como eu vou agir, mas é o meu agir que determina como vou exerce-la.

Sunday, October 25, 2009

Clubinho da sexta-feira




40. min antes.
-Ah não, coloca a kombi dentro da garagem, fica melhor pra tirar as coisas.
(coisas = colchão, guarda-roupa, todas as roupas e mais uns objetos pessoais ai - quase uma vida)
-É verdade, é melhor então...
-Caçilda! Quanta fumaça desse escapamento! E a camada de ozônio diz "tchaaaaaauuuu"
-Puts, tá saindo fumaça aqui do ladinho também, mas só desse lado.
-Não, não. Tá saindo aqui também.
-Ow, é impressão minha ou...a fumaça tá saindo preta?

Mins depois.
-BOMBEIROS! LIGA PROS BOMBEIROS! TÁ TUDO PEGANDO FOGO!

-CORRE QUE VAI EXPLODIR!
-NÃÃÃÃO! TIRA AS COISAS DE DENTRO ANTES!
-MAS TÁ PEGANDO FOOOOOOOOOOGOOOOOOOOOO!!!!
-CADÊ O EXTINTOOOR?

Mins depois.
-Puts, três extintores deram conta!
-Abre ai o motor, pra gente dar uma olhadinha.
-BUUUUUUUUUUUUM!
-PEGA A MANGUEIRA, PEGA A MANGUEIRA! TEM MAIS FOOOGOOO!

Mins depois.
-Vamos tirar as "COISAS" (quase uma vida) jogadas da rua e colocar na garagem, agora que o fogo apagou. Ah, olha...ali no fim da rua...os bombeiros!



Era uma vez quatro desempregados, que resolveram montar um clubinho, às sextas-feiras, pra assistir filmes e praticar um pouco de gastronomia. Um belo dia, dois deles foram fazer uma mudança, e usaram uma kombi para isso. Mal podiam imaginar o calor e suor que restariam disso.
Um deles, por sua vez, era brigadista, e tinha experiência com fogo, e junto com uma delas eram donos de boa parte das "coisas" na kombi. Uma outra ai estava recém-operada, e em repouso, após uma delicada cirurgia na vista.


Essa? É pra contar pros netos!

Nessa série que é a nossa amizade, terminamos essa temporada com incêndios e despedidas, mas certamente começaremos uma outra com muita disposição...e alta temperatura!

Tuesday, October 06, 2009

Apenas o fim

Pra mim o fim das coisas não é cercado de tumulto ou caos.
Não é recheado de dor, berros ou prantos.
Está longe se ser aquele espancar de saudade ou de sofrimento.

Se, no final, tudo dá certo? É, não sei dizer se é bem assim.
Mas certamente as coisas se findam mesmo, é quando a gente menos espera.
Começam a subir as letrinhas na tela, a música marcante começa a tocar, todos vão embora, comentando, falando e criticando...e poucos ficam pra ver o que vem depois. Porque depois tem alguma coisa.
Tem o eco do que foi assistido. E só então depois de "alguma coisa" é que pode vir o fim.

E esse fim? É bem silencioso, chega de mansinho, assim, quando a gente menos espera.

O fim do amor [se é que amor lá se acaba um dia...] é depois do término. Depois do choro. Depois do sufoco. É quando você está olhando sua lista de contatos, vê o nome da pessoa e se pergunta: "Será que um dia eu vou usar esse número, ainda?". Enquanto você tiver que apagar o mesmo número diversas vezes, bloquear, deletar ou se esquivar...é porque ainda agoniza algo dentro de você.

Como no filme "Apenas o fim", ela diz: "O melhor de morrer de amor, é continuar vivo". Vivo pra descobrir que aquele amor não morreu. Não naquele momento, em que você está morrendo por ele.
Vivo pra poder ver o que vem depois, ver que "apesar de você amanhã há de ser um novo dia".

A morte de alguém, não é o fim pra quem fica. Porque o fim mesmo? Vem no dia a dia, com a desintensidade [ok, neologismo porco] da saudade, com o permitir que diversas memórias vão embora e com o surgimento do pequeno apego à algumas lembranças.

Já ditei o fim de muitas coisas.
Já afirmei muitas vezes que a partir dali aquilo não me afetaria mais.
E também já percebi que enquanto fizer força para que isso aconteça, só expresso o quanto aquilo não acabou.

O fato é que o fim de alguns (ou para alguns) é apenas o começo para outros...apesar da gente às vezes começar muito sem saber terminar qualquer pouco.

E o final? Se é sempre feliz? Hm, er...não sei bem dizer.
Mas, certamente, ele é sempre bem silencioso, pelo menos dentro de nós.

Monday, September 28, 2009

Sobre médicos e psicólogos

Pra sarampo, catapora e malária?
Gripe, rinite e febre amarela?
Polio, influenza, e até mesmo AIDS?

Vacina!

Agora...

Depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar? .
Édipo, Elektra e somatização?
TOC, paranóia e obsessão?

Dá até pra tentar uma campanha de prevenção, mas, diga-la, vamos injetar "sanidade" na veia ou dá pra ser intra-craniano?

Friday, August 28, 2009

Teu nome é rima

Musica
s.f. Arte de combinar os sons. / Teoria dessa arte. / Realização prática dessa arte. //
by Aurélio



Seu Jorge escreveu para Carolina, "uma menina bem difícil de esquecer, andar bonito e um brilho no olhar". Legião preferiu escrever para Clarice, aquela que está "trancada no banheiro e faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete". Tom Jobim optou pela Luiza, pra quem fez uma canção pra ajuda-lo a esquece-la. Até Danis e Janainas tiveram suas homenagens com o Bikini Cavadão. E quem nunca pediu para ouvir Los Hermanos com Ana Júlia no final de algum show?

Por muitas vezes tentei me enquadrar em nomes, canções e descrições. Quis ser a fonte de inspiração para o George Israel enquanto escrevia "Alice eu tô treinamento pra te enfrentar, tenho mil motivos pra você me suportar", ou até mesmo a tal da Janaina, que apesar de tudo tinha sonhos, segundo o Bikini Cavadão.

Diversos embelezamentos afinados dados à cada musa inspiradora. Mesmo quando os Raimundos cantavam sobre a mocinha complicada, logo mais corriam atrás do prejuízo...complicada E perfeitinha.

Depois do Gabriel pensador cantando sobre a Bianca (com cara de carranca, mas que dá pra dar o bote), desisti da vez do meu nome na voz de algum.

Prefiro abstrair um pouco mais. Já me disseram que eu sou música pra uma tarde alaranjada na praia, música que criança sai correndo desembestada. Gosto dessa descrição. Sou aquele single que não fez sucesso em todas as paradas, não bateu record de cd´s vendidos ou mp3 baixadas, e nem toca nas baladas, mas que tem um grupo seleto de fãs que esvaziam o peito e arranham a garganta na hora de cantar. Sabem a letra inteira e ainda fazem propaganda da tal música para os amigos.

Se virasse um clip? Também não iria para a MTV. Mas também não seria alvo do programa "Piores clipes do mundo".

De certa forma, sabe que eu prefiro assim?!

Sunday, August 23, 2009

O tal do site candadense

Tudo começou num sábado de sol. Era de manhã, bem cedinho, e eu caminhava calmamente pela Av. Paulista, rumo à Av. Augusta, para estudar inglês. Não. Não estudar os ingleses que caminham por lá. Só estudar o idioma inglês (tá, conta outra).

Na esquina entre as duas ruas (na esquina? ó!) surge alguém, que atravessou a avenida correndo para falar com a menina com cara de sono e cabelo desgrenhado do outro lado.

Cansada demais pra insistir em um "não", aceitei responder à pesquisa que ele disse estar fazendo para a faculdade. Alguma coisa a respeito de mulheres modernas. (ok. Só eu ainda caio nessa)

-Primeira pergunta: Você se considera uma mulher moderna, atualizada e independente?
-Hm...er...talvez, talvez.
-Você se considera o tipo de mulher contemporânea (ele ainda falava difícil!) que faz bicos e tenta encontrar alternativas para arranjar uma verba extra?
-Hm...er...talvez, talvez.
-Então é você mesmo o tipo de mulher que eu procuro!
-Ah é (Sr. Lobo)?
-Sim! Eu vou te fazer uma proposta, de uma oportunidade imperdível, você ouve e depois você me fala o que você acha. A proposta é para fazer um video, super simples, e você ainda ganha R$200 (tô valendo pouco) sem sacrifício. É um vídeo amador, faz parte de uma sequencia chamada: Rapidinhas do dia a dia.
-Ein?
-Rapidinhas do dia a dia.
-Ah tá.
-Não é pornografia, nem nada nesse sentido. Você vai comigo, nós vamos até o estúdio, você grava, e depois nós vamos direto ao Conjunto Nacional sacar o dinheiro. Você fica feliz, e eu fico feliz. No video, você estará vestida com uma toalha, tomando banho (ah é, tomando banho com toalha. Eu faço isso todo dia), enquanto a câmera pega, no lado de fora da casa, alguém entrando na casa...é mais pra dar um suspense, entendeu? Simular uma rapidinha, mas sem chegar aos finalmentes. Você não precisa se preocupar, pois o seu rosto não vai aparecer, e o video será disponibilidazo em um site canadense, as pessoas que te conhecem só acessarão se você enviar o link e tudo mais. É super seguro, e hoje em dia as mulheres tem feito muito disso pra aumentar a renda. E ai, o que você acha?
-Hm...er..putz...NÃO.


Moral da história: Além de estar valendo pouco, ainda por cima nem querem mostrar a minha cara!

Saturday, August 15, 2009

A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante




Encarando o espelho pode analisar bem: eis que surgia, em meio ao mar de imensa castanhez, o primeiro e, por enquanto, único fio de cabelo branco. Não era tão branco quanto deveria, afinal, tinha uma metade, a da ponta, de cor marrom. Mas ainda assim algo dizia que aquele era o primeiro de toda uma legião que genocidaria todos os outros fios que não parecessem ter sido lavado com Ace.

Ao contrário do que seria clichê, não se sentiu velha, desejando retornar a alguns anos a mais da sua juventude (da qual ainda desfrutava). Afinal, se desejasse ser um pouco mais jovem teria que suportar sua própria adolescencia novamente. Ultimamente havia convivido com muitas adolescentes, e a atual fixação pelos tais virgens dos anéis, que se nomeavam Jonas Brothers, lhe parecia lhe parecia tão...supérfula.

Parou um instante pra resgatar aquilo que fazia sua cabeça na adolescência...até teve sua fase de boyband com os Backstreetboys, mas logo caiu em graças com os tais dos Red Hot Chilli Peppers. Retornar à aquele tempo, em que o menor problema se tornava a maior tempestade em um copinho de pinga, não era uma idéia de todo agradável.
Talvez se sentisse mais atraída pelas peripécias mais antigas, da própria infância. Como a vez em que ficou, durante dias, com atenção fixa na própria respiração, pois acreditava que se esquecesse dela a morte seria súbita! Ou então quando escreveu aquela carta, com mais de mil escritos de "Eu te adoro" que havia planejado enviar para a Angélica, a fada bela.

Aquele fio de cabelo branco, ao invés de aprisiona-la no que foi e não é mais, a fez acordar para o que poderia ser, e para o que recordaria algum dia quanto pudesse encontrar, em meio às madeixas grisalhas, o último fio de cabelo castanho.
Mas uma também deixou o desejo...de que pelo menos com aquele fio, um pouco mais de juizo e maturidade pudessem crescer na sua cabeça.